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Nossa vida

E a nossa vida se tornou minha. A sua, não me diz mais respeito. E eu fico migalhando entre as relações dos outros, só pra me doer o não mais possuir.

Tertuliano Filho

05 de abril de 2012

Onde o céu é mais azul, encontrei você.

Onde terra e mar se confundem, pude ver seus olhos, visíveis apenas por um tom a mais.

Escrevendo na areia

Tentativas frustradas de dividir com algo maior o que não sou suficiente para conter,

Vi você, meu anjo, descer até meus lábios.

E não foi físico.

Foi sentimento concreto e abstrato contato.

E a distância entre meus sonhos e realidade se tornou tão pequena quanto irrelevantes são as horas que nos separam.

 

 

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Tertuliano Filho

28 de Abril de 2010

Porque preciso ser amado de todos os lados, de todas as formas e ao mesmo tempo.
Desde que te deixei. Desde que você se foi.

Tertuliano Filho
01 abril de 2012

Minaion

Eu aqui com meus fones de ouvido, Someone Like You* e um sorriso na janela,

sentindo o gostinho salgado das lágrimas.

As luzes passando, enquanto o ônibus me faz dançar,

satisfeito.

Eu construí um pequeno monumento de tinta pra te guardar,

e a todos eles junto com você.

Pra cumprir minhas promessas, e garantir sua permanência.

A gente se tornou tanta coisa diferente.

Todos nós.

Mas a lua e o sol continuarão lá em seus olhos. E no céu,

pra que eu me lembre dos primeiros.

Sempre,

de vez em quando.

Tertuliano Filho

Teresina, 08 de fevereiro de 2012


Canção da cantora e compositora britânica Adele Adkins, lançada como o segundo single do álbum 21 em 24 de janeiro de 2011. Foi escrita por Adele Adkins e Dan Wilson.

Porque, onde todos habitam, a ignorância queima nos olhos

e ergue muros invisíveis entre corpos iguais.

Tertuliano Filho

 

 

"Apagaram tudo/ Pintaram tudo de cinza/ Só ficou no muro/ Tristeza e tinta fresca" - Gentileza, de Marisa Monte

 

Por não querer genitais expostos

Quero a pouca nitidez tornando os detalhes mais agradáveis

A pouca luz que acentua o cheiro, as sombras revelando novas curvas


Por desprezo à cor pobre da lâmpada fluorescente

Quero a infinidade de tons das íris, o reflexo nas pupilas dilatadas

Quero corpos evidentes numa escala de cinza


Por temor ao frio e à umidade

Quero o calor que não há na cerâmica gelada das paredes

e a lembrança morna da presença que desce junto à água


Por recato

Quero a intimidade de um lugar só meu, a paz de possuir

Quero ter o direito


Pela acústica. Pelo constrangimento de ser ouvido

Quero expirar o prazer do peito, exagerar nas reações

Quero explodir, comunicar satisfação


Por respeito

Quero amar longe do horror e desconforto

Quero decência. Compreensão


Por submissão

Quero proteger a felicidade, colecionar momentos

Quero continuar essa história.

"Urinar é arte?" de Márcio Klein Rocha

Não sei direito como deveria me sentir agora, mas não acho que deveria estar tão em paz.

Eu sabia que esse momento chegaria e me julgava pronto pra ele. Muitas vezes, não correspondendo às expectativas do bom senso, ansiei em vez de temê-lo. Já faz um tempo que vejo a sentença como alívio. Ser condenado e me resignar às idéias de quem merece achar o que quiser. Aceito que a ignorância tem sua limitações. E eu as respeito.

No fim, talvez seja mais fácil pra mim. Eu sei. Eu entendo. Seria demais pedir aceitação de quem não pode compreender.

Alguns poucos anos - talvez tenham sido apenas meses -, me foram suficientes. Mas estou vivendo tudo isso agora. Tenho aprendido aos poucos. Como exigir isso de quem tem suas idéias enraizadas há mais de vinte, trinta anos?

Não… Não há raiva, nem pena como achei que haveria. Simplesmente, compreensão.

Nem mesmo no auge da prepotência natural da pouca idade, me imaginei dono de tal maturidade. Mas hoje o chão tremeu sob meus pés e eu não vacilei. Hoje, um corpou sacudiu, soluçando sobre meu peito e eu quis chorar -  por um momento apenas -, antes de olhar fixo e deixar que chorassem e colocassem pra fora. Que tivessem seu tempo - o tempo que for preciso. Porque eu não preciso de mais nada. Porque eu fiquei de pé enquanto tudo ao redor está caindo.

E em paz. E feliz. 

Prometeram que não me deixariam cair. Mas eu imaginei que o fariam segurando minha mão.

Mas não foi isso. Eu tive a força necessária para que minhas pernas não tremessem junto com tudo. Algo além da gravidade que me manteve lá parado. Rígido. Tranquilo. E eu sei que essa força não pertence a mim.

É esse o equilíbrio dado por suas asas, anjo?

Precisarei delas ainda. Não acabou – longe disso, é só o começo. Virá mais. Mais forte e intenso.

Que suas asas sejam grandes para me proteger. Para segurar a paz dentro de mim.

Porque não as usarei pra fugir disso tudo. Voar pra longe. Não. Que elas sejam úteis para manter meus pés no chão. Fixos e decididos como estiveram hoje. Para lutar por você e por mim.  

 

 

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